A invenção de Hugo Cabret

Hugo Cabret

“A história que estou prestes a contar se passa em 1931, sob os telhados de Paris. Aqui, você conhecerá um menino chamado Hugo Cabret que, certa vez, muito tempo atrás, descobriu um misterioso desenho que mudou sua vida para sempre.”

Não acompanhei a premiação do Oscar (porque eu acho uma cerimônia bem chatinha), na qual o filme concorreu em onze categorias e levou cinco estatuetas: fotografia, direção de arte, efeitos visuais, edição de som e mixagem de som (gente, por favor, me expliquem: qual a diferença entre edição e mixagem de som?). Todas técnicas. Todas merecidas. Melhor filme, em minha leiga opinião, já imaginava que não levaria e nem deveria – não com O Artista, o grande vencedor, entre seus rivais. A minha real surpresa foi o filme não ter levado os prêmios de melhores diretor (Scorsese, seu lindo ♥) e roteiro adaptado.

Li A Invenção de Hugo Cabret alguns anos atrás, quando minha mãe o trouxe pra casa, depois da escola em que ela leciona tê-lo distribuído aos alunos. O que me chamou de imediato a atenção para o livro e me fez começar a lê-lo foram as ilustrações do próprio autor. Ao percorrer as páginas, você compreende a forma inteligente de posicioná-las entre os textos, transformando-as em muito mais do que meras imagens de auxílio visual, em um jogo de quadros que, por si só, contam partes da história, sendo seguidas pelo texto retomado a partir do ponto onde elas pararam.

Ilustrações do autor

Hugo é um daqueles livros que a gente pega pra ler por falta de opção e não consegue mais desgrudar das mãos até que acabe. Em páginas negras, a história é ambientada no início dos anos 30 de Paris, e é uma homenagem ao “cinematógrafo” em seus primeiros anos de vida. Cinéfila declarada que sou, não poderia deixar de me encantar. Escrito por um cinéfilo, para cinéfilos. Muito mais do que um livro infanto-juvenil, é leitura obrigatória pra quem ama o cinema, a “fábrica de sonhos”.

Através de Hugo, fui apresentada à George Méliès (magistralmente caracterizado no filme), um gênio do cinema, considerado o “pai” da ficção científica por sua obra mais famosa: Le Voyage Dans La Lune, um filme de 110 anos atrás (e no qual sir Visconde de Sabugosa é o personagem principal). Depois de ler o livro, passei dias pesquisando sobre o citado diretor e autômatos (um robô feito apenas de peças de relojoaria), dois assuntos fascinantes, dos quais eu nunca tinha ouvido falar (shame on me).

Todo filme baseado em um livro acaba ficando uma merda. Não. Com Hugo é diferente. Talvez por ser uma história curta (apesar das 500 páginas e dezenas de reviravoltas), Scorsese conseguiu guiar a história exatamente como no livro, exatamente como você a imagina ao lê-lo. A adaptação é fantástica e nada deixa a desejar ao compará-la com o original. As ilustrações do autor criam vida na telona. Toda magia do livro de Brian Selznick está lá, envolta pelo charme de Scorsese.

Sábado passado levei as duas filhotas de um primo querido (12 e 07 anos) para ver o filme comigo. Foi um deleite observá-las duas horas seguidas sem que desviassem os olhos da tela, ansiosas pelo desfecho. Foi lindo ver as duas chorando nas partes mais emocionantes do longa (muito embora a mais velha tenha tentado disfarçar a todo custo, haha). Foi ótimo conversar com elas até de madrugada sobre o filme, de tão encantadas que saíram do cinema – e eu também. Um livro fascinante, um filme deslumbrante.

Há muito mais que eu adoraria comentar aqui, mas sei que vocês não gostam de spoilers.

 

trailer legendado em pt/pt, mas tá valendo!

 

“Eu imaginava o mundo inteiro como uma grande máquina. Máquinas nunca vêm com todas as peças extras, você sabe. Eles sempre vêm com a quantidade exata de que necessitam. Então percebi que, se o mundo inteiro era uma grande máquina, eu não poderia ser uma parte extra. Eu tive que ficar aqui por algum motivo.” Hugo Cabret

 

09/04/12 – Devido às buscas que trazem ~internautas~ até este post, vale esclarecer: “A Invenção de Hugo Cabret” é uma história de ficção, que utiliza em seu enredo elementos e personagens reais (clique aqui pra ir até a página sobre Georges Méliès na Wikipédia).

O Senhor March

Resgatando um dos personagens do clássico ‘Mulherzinhas’, de Louisa May Alcott, Geraldine Brooks conta neste livro a história do senhor March, marido e pai ausente que vê seus ideais se perderem após vivenciar as sanguinolentas batalhas da Guerra Civil americana. À medida que o Norte sofre uma série de derrotas inesperadas durante o primeiro ano da guerra, o senhor March se vê obrigado a abandonar a família para defender a causa da União. Essa experiência acaba ocasionando uma mudança brusca em seu casamento e em sua vida, e desafia suas mais profundas crenças. (contra-capa)

Ainda não li Mulherzinhas, nem assisti ao filme baseado na obra, mas isso não atrapalhou em aspecto algum a leitura de O Senhor March, uma vez que a história é totalmente distinta e rica em detalhes e descrições.
A narração começa a partir das cartas amorosas de March para sua esposa e filhas, nas quais, cuidadosamente, ele omite o verdadeiro horror daquilo que tem vivido. A introdução é leve, mas com o desenvolvimento o livro ganha ares pesados, expondo – incialmente de maneira sutil e depois de modo mais “cru” – os acontecimentos que, essencialmente, mudariam o capelão de maneira irreversível.
Mais do que qualquer outro tema abordado, o livro fala sobre abolição e, volta e meia, ele se mostra cheio de semelhanças com a atual realidade de muitas pessoas, não só no Brasil, mas por todo o mundo, que vivem vidas inteiras em estado de negligência e subsistência.
Apesar do livro não ser nem um pouco apelativo, eu chorei. Chorei porque, além de ser uma chorona mesmo, me lembrei de coisas que vivi, enquanto dava aulas em um projeto em uma favela aqui do Rio. Pensei nas histórias de meus alunos (e, em alguns casos, no fim delas). Me vi em um March idealista, cheio de conceitos e vontades, até resolver viver aquilo em que acreditava e aprender que a realidade é muito mais dura do que possamos imaginar e, por fim, se sentir nada além de impotente, constantemente pensando que poderia ter feito mais por aquelas pessoas. Não importa o que digam sobre a sua “coragem” os que apenas viram aquilo de longe, eles jamais vão entender.
Apesar da história ser totalmente ficção, o protagonista é baseado em uma pessoa real: Bronson Alcott, idealista e abolicionista, pai de May Alcott. Utilizando-se inclusive de cartas que o próprio Bronson escreveu para sua família, Brooks constituiu sua trama, o que, creio eu, foi crucial para a veracidade do personagem central. Claramente, esta foi uma obra minuciosamente pesquisada.
Como observação final, tenho de dizer que a escrita de Brooks é deliciosa de se acompanhar, o que não é uma opinião exclusiva minha, já que O Senhor March foi vencedor do Prêmio Pulitzer de Ficção.

Com esse livro (e com meu trabalho), eu aprendi que, às vezes, o que podemos fazer para ajudar alguém é muito pouco aos nossos olhos, mas para eles pode ser tudo.

Visite o site do livro e leia um trecho do primeiro capítulo: http://www.osenhormarch.com.br

Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones) – Trailer Legendado

Já falei sobre o filme aqui, lembram? Finalmente, semana passada foi oficialmente divulgado o trailer de The Lovely Bones:

Eu já disse que li esse livro 9 vezes e que espero pelo filme há 6 anos? Acho que vou morrer de ansiedade até 22 de janeiro do ano que vem… Deus me ajude!

Site Oficial em inglês.
Site Oficial em português.

Marley & Eu


Marley & EuSinopse:
John e Jenny eram jovens, apaixonados e estavam começando a sua vida juntos, sem grandes preocupações, até ao momento em que levaram para casa Marley, “um bola de pêlo amarelo em forma de cachorro”, que, rapidamente, se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos.
Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, esgadanhava paredes, babava nas visitas, comia roupa do varal alheio e abocanhava tudo a que pudesse. De nada lhe valeram os tranqüilizantes receitados pelo veterinário, nem a “escola de boas maneiras”, de onde, aliás, foi expulso. Mas, acima de tudo, Marley tinha um coração puro e a sua lealdade era incondicional.

O Livro

Opinião Pessoal: É um livro bem escrito. Mas também é um daqueles best-sellers que eu não consigo entender por que fizeram tanto sucesso. Sim, há passagens emocionantes, mas também há trechos completamente chatos e dispensáveis. Não tem absolutamente nada de “imperdível”, como diz a publicidade. Não consegui ler até o fim.

O Filme

Opinião Pessoal: Como toda adaptação, é obviamente bem menos detalhada que o livro, e certos acontecimentos não ocorrem na mesma ordem cronológica. Não é realmente um bom filme. É apenas um título ok de “Sessão da Tarde” para se assistir do sofá, quando não se tem muitas opções. Ainda assim, eu indicaria o filme, que também tem seus momentos emocionantes (chorei no final, #prontofalei),  pra alguém que fosse escolher apenas um dos dois.

Ossos Adoráveis

Susie

Uma menina de 14 anos é estuprada e morta na Pensilvânia de 1973.  Assim começa a narração de Uma Vida Interrompida – Memórias de Um Anjo Assassinado. Escrito em primeira pessoa, o livro conta a história fictícia de Susie Salmon. No céu, a garota começa a acompanhar como a sua família, amigos e o próprio assassino continuaram suas vidas após a tragédia.
Quando o li, tinha 16 anos. Até hoje, nenhum livro mexeu tanto comigo quanto este. Já o reli cerca de oito vezes. Indiscutívelmente, meu livro preferido.

“Uma Vida Interrompida foi uma das experiências mais estranhas que tive como leitor. Dolorosamente engraçado, de uma dureza revigorante, terrivelmente triste, o livro é um feito de imaginação e um tributo ao poder curativo da dor.”
Michael Chabon, autor de The Amazing Adventures of Kavalier and Clay

Pouco depois de ter lido o livro, vi em um telejornal qualquer a notícia de que Peter Jackson (ninguém mais, ninguém menos que o diretor da trilogia O Senhor dos Anéis) havia comprado os direitos autorais do romance. Entrei em estado de êxtase! O livro ia virar filme! Mas passaram-se 3 anos até que eu tivesse novas notícias sobre o filme. Foi no fim de 2007, quando ele começou a ser rodado na Pensilvânia.
Depois de 5 anos de espera, The Lovely Bones, ou Um Olhar do Paraíso (título do filme em português – que eu odiei, diga-se de passagem), já está em fase de pós-produção e tem estréia nacional prevista para janeiro de 2010.
Susie é “vivida” pela lindinha Saoirse Ronan, que em 2007 participou de Nunca é Tarde Para Amar. O elenco conta ainda com: Rachel Weisz (Abigail, mãe de Susie), Mark Wahlberg (Jack, pai), Susan Sarandon (Lynn, avó) e Stanley Tucci (George Harvey, o assassino), entre outros.

Esse é o site oficial.

Adaptações para o cinema nunca são tão boas quanto o original, é claro que eu tenho receio de não gostar do filme, mas acho que ele está em boas mãos. ^^
Finalmente, um filme pelo qual eu realmente estou excitada!

“Desejo a todos vocês uma vida longa e feliz.”
Susie.